Porque às vezes nos sentimos sozinhos no meio de tanta gente e tanta informação?

Solidão é uma palavra que muitas vezes assusta, não é mesmo? Acontece que nascemos e morremos sozinhos, e deve ser por algum motivo específico. Claro que não precisamos viver a vida toda sozinhos por causa disso, porém devíamos ser bem mais acostumados com a solidão do que de fato somos.

Afinal, estar sozinho significa estarmos com nós mesmos, o que deveria ser infinitamente bom. Para mim, um dos segredos da vida plena é saber aproveitar cada momento com alguém tão bem quanto você aproveita com você mesmo. Esse é o verdadeiro desafio: equilibrar sua vida para saber viver esses dois momentos com equilíbrio. E quais são os benefícios disso?

Você já reparou, por exemplo, naquelas pessoas que estão com um grupo de amigos, mas de uma forma muito visível, estão com a cabeça em outro lugar ou não param de olhar o celular? Isso se torna cada vez mais frequente hoje em dia.

Saber viver bem em grupo é tão desafiador quanto saber viver sozinhos.

Acredito que a maioria das pessoas buscam apenas estar sempre cercada de outras pessoas. Isso as confortam, e de certa forma também as protegem da busca pelo autoconhecimento. Poucas buscam viver sozinhas por opção. Assim que conseguem se encaixar ou se conectar com um grupo legal, novos amigos, um namorado novo, essas pessoas logo se desconectam delas mesma. Por quê? 

Mesmo em uma sociedade cada vez mais individualista, cada vez menos as pessoas buscam ser felizes com elas mesmas. E por isso associam a solidão com tristeza. Eu, por exemplo, comecei a aprender a lidar comigo mesma ao fazer intercâmbio para a Austrália sozinha, aos 24 anos de idade. 

Foi relativamente fácil me enturmar porque eu estudava e tinha minha turma da escola. Logo consegui um emprego e também tinha a minha turma do trabalho. Porém, três anos depois eu resolvi viajar o mundo sozinha, e aí começou a saga.

Claro que acabei conhecendo uma infinidade de pessoas e também sempre estava acompanhada de novos amigos… mas, em muitos momentos, lá estava eu sozinha de novo: ao pegar um avião, na espera do aeroporto, nos momentos doentes, em acampamentos, nos almoços ou jantares em restaurantes, em trilhas, na hora de tirar fotos e por aí vai.

Acontece que no final dessa experiência eu aprendi uma coisa. Aprendi a me conhecer melhor e a gostar de estar comigo mesma. Hoje meus momentos sozinha são ótimos! Sei o que me relaxa, sei o que me tira o humor, sei o que mais amo e o que mais odeio, e principalmente, não deixo a interferência externa da opinião me abalar. E isso faz toda a diferença em minha vida.

Isso me fez sentir mais autêntica, isso me faz ser eu mesma a todo instante. Também adquiri novos hobbies como artesanato, meditar e escrever. Não preciso viver sozinha, mas eu sei que estou muito bem comigo mesma e isso me conforta. Estou bem quando sozinha, e estou bem em grupos. Isso é libertador!

Quando voltei para o Brasil tive um choque cultural: me deparei com uma sociedade que não tem ideia do que é viver com eles mesmos.

Poucas pessoas viajam sozinhas; poucas têm hobby; quase ninguém vai a um restaurante à noite sozinho; e se você disser para alguém que decidiu não casar ou não ter filhos, irá ser bombardeado de perguntas preconceituosas.

Isso mostra que a sociedade não aceita e nem está preparada para viver sozinha. Acontece que tudo está caminhando para isso, e ninguém se dá conta. Nós, literalmente, abandonamos nossos pais em busca da vida independente. De repente, aqueles que mais te amaram e te ajudaram acabam sozinhos. E você, como acha que será seu futuro?

Você luta incansavelmente pelo sucesso nos negócios, para encontrar um amor e ter filhos. Já se deu conta que seus filhos poderão te abandonar um dia? Existe hoje uma busca incansável de estarmos sempre acompanhados, onde na realidade caminhamos para oposto, sem mesmo percebermos. Chega a ser assustador!

Buscamos ter vários amigos e familiares, mas quando nos encontramos com eles mal trocamos experiências, porque não nos abrimos mais com tanta facilidade. Que confuso: queremos a individualidade ou buscamos a vida em conjunto? Eu não sei. Eu mesma me confundo ao refletir sobre isso.

Só sei, dentro de mim, que independente da opção que você tenha para a sua vida, procure buscar viver cada momento, enxergando e sentindo o que está acontecendo dentro de você e tendo sempre compaixão pelo próximo. Caso contrário, você estará bem próximo de ser tonar um zumbi. O verdadeiro mascote dessa geração. Eles andam em grupo, mas ninguém olha para ninguém. Todos estão com a cabeça em algum outro lugar e meio aéreos; ou melhor, desconectados.

Pra mim, a maior solidão é aquela onde você se desconecta de você mesmo.

Saiba que essa busca pela conexão é desafiadora. O tempo todo os zumbis irão te levar amedrontar. Eu, por exemplo, ainda não me sinto bem em ir ao cinema sozinha. Não sei o porquê, mas isso me incomoda. Não sei se o cinema foi criado para ir com alguém ou sou eu que não consigo me conectar comigo mesma em um lugar tão grande e barulhento.

Ainda prefiro a sessão de filme em casa, com pipoca e brigadeiro feito em casa. Talvez eu ainda tenha um longo caminho pela frente nessa busca pela conexão.

E você? Se sente conectado? Ou caminha junto com os zumbis?

 

Pin It on Pinterest

Shares
Share This

Compartilhe