Tudo é usufruto

fev 13, 2019 | Autoconhecimento | 0 Comentários

Fomos ensinados, desde pequenos, que precisamos ter, comprar ou ser donos de coisas para encontrarmos a felicidade e ter uma vida plena. Alguns ainda acreditam ser donos de pessoas, filhos, alunos ou parceiros.

Se você não tiver essa sensação de propriedade por coisas ou pessoas, pode ser que acredite que as coisas ou situações durem para sempre. Se sim, esse texto é para lhe dizer que andou esses anos todos se iludindo. É como se a gente tivesse que ‘reprojetar’ a nossa mente todos os dias falando para nós mesmos o seguinte mantra: “Nada é meu e nada é para sempre”. Um mantra tão simples, porém, libertador.

Sem querer, a vida nos prega pequenas armadilhas mentais. Sabe, como aquelas frases típicas: “E foram felizes para sempre…” ou “A partir de agora você vai se preocupar com seu filho até o último dia da sua vida” ou “Quando tiver a minha casa própria, tudo mudará” e assim por diante…

Acabamos, sem querer, nos envolvendo com esses pensamentos e, inconscientemente, buscando um amor para vida toda, essa tão sonhada casa própria, o melhor amigo, o trabalho dos sonhos e coisas que te darão uma certa estabilidade. Existem vários padrões que nos levam a buscar coisas ou relacionamentos que duram para sempre. E esses padrões nos dão segurança, conforto e bem-estar. E é por conta desses bons conceitos que acabamos nos iludindo.

Desculpe-me decepcioná-lo, mas são todas sensações ilusórias. Cuidado com elas e com o seu apego em relação ao que tem. São aquelas sensações de: “Ahh que bom que eu namoro, agora não preciso ficar mais tão ligado nas novidades” ou “Ah eu tenho um emprego, nem preciso entender tanto assim de internet” ou mesmo “Ah eu tenho saúde, vou comer mesmo assim”.

Se, por acaso, você tem algumas dessas coisas que lhe dão segurança, é porque em algum nível você pode estar apegado emocionalmente a isso. Para saber o quanto de apego tem, é só se visualizar sem ele. Se se sentir triste é porque é um ser humano normal. Mas, se sentir um certo desespero, ansiedade ou vazio, comece a prestar mais atenção nessa sua busca pelo tal conforto físico ou emocional.

Já sabemos que “nada dura para sempre”, é clichê, né?  Se nem a vida é para sempre, imagine o que temos ou somos enquanto vivemos…

Agora o cenário mais comum é quando você não tem alguma dessas coisas, olha para os lados e começa a se sentir profundamente mal por isso. E nesse estado, o de não ter algo, ou, pelo menos, não o ter de forma integral ou duradoura, é que sofremos.

Quantas vezes eu não me peguei com aquele péssimo sentimento de desamparo ou vazio como se estivesse faltando algo para me completar. Ainda bem que esse estado não durou muito. Logo eu caí na real e disse para mim mesma: “Pare, esse sentimento é uma ilusão criada pela minha própria mente” Mas, confesso que normalmente luto com ele.

Nós todos fomos criados pensando que o que é duradouro é melhor. Pode ser uma amizade, um emprego, um relacionamento, e até roupas ou objetos que duram mais são os de melhor qualidade. Associamos até que felicidade é algo duradouro, quando na verdade, é um sentimento que vai e volta.

A questão é: tudo vai e volta.

Quero contar uma história para vocês. Em uma dessas minhas noites em que eu sofria por não ter alguma coisa duradoura, fui até a minha sacada, olhei para o céu e era como se todo aquele universo estivesse querendo me dizer algo. Tive uma forte sensação de tranquilidade e um bem-estar junto com uma certeza dentro de mim. Já sentiram isso antes?

O ar fresco batia em meu rosto e junto com ele vinham respostas dentro do meu coração. E essa resposta era parecida com: “Acalme-se, tudo é usufruto”.

Em um primeiro momento a minha mente ficou confusa: Como assim? Tudo o quê?

Mas, aos poucos fui olhando ao meu redor, os outros prédios, os carros parados na rua, uma bicicleta que passava, o lixo e tudo que ali estava. Era como se naquele momento eu estivesse fazendo usufruto (visual e físico) de tudo aquilo ao meu redor. Inclusive do próprio céu e das estrelas.

Lembrei de algo que meu avô dizia muito: “A estrela não é mais uma estrela, na verdade, o que vemos é a luz refletida dela, mas ela já não existe mais” Não sei se isso é verdade ou não, mas fez muito sentido para mim naquele momento. Percebi que a varanda, o ar fresco, o chão, o prédio, a roupa que vestia e tudo que estava ali era apenas para eu “usufruir” naquele momento. A resposta para o meu vazio interior era: “Nada é nosso!”

Desde o ar que respiramos, até quem somos por aparência ou essência também é transmutável. Se não somos hoje o que éramos ontem, quer dizer que nem o que somos é eterno: nosso corpo, todo o culto lhe dedicamos, as pessoas que conhecemos e todo o nosso entorno. Mas, por que vivemos buscando o contrário?

Naquela hora, de uma forma bem real, pude perceber algumas coisas bem simples e que nos ajudam a encarar momentos confusos e que vou dividir com vocês:

  1. Nosso próprio dinheiro

Já reparou como a nossa sociedade tem repúdio por quem não tem seu próprio dinheiro? Mesmo se alguém tem que se prostituir aos 16 anos, ele se levanta todos os dias, ergue a cabeça e diz: “Mas pelo menos o dinheiro é meu!” E isso o faz se sentir melhor. Mas não, o dinheiro não é e nunca será dele. Ele o trocou momentaneamente pelo seu corpo. E, no dia que seu corpo não estiver mais saudável, junto com ele o dinheiro também não existirá. E talvez, a sua dignidade também não.

Vivemos numa busca constante para ter nosso próprio dinheiro a qualquer custo, e confesso que eu também sou vítima disso. Procuro não ter esse apego enorme em torno dessa questão. Por exemplo, pode ser que um dia, por uma doença, uma fatalidade ou por uma coisa mais simples, possamos depender de alguém. E tudo bem. O dinheiro que esse alguém te emprestar também é de usufruto dessa pessoa que estará te ajudando. Aceite sem culpa.

No final das contas, todo dinheiro vai e volta, passa de mão em mão e não pertence a ninguém de verdade. As pessoas só o usam por um determinado período. Caso, esse mesmo dinheiro estiver parado, rendendo em algum investimento, ele também pertence ao banco, ao tesouro ou a um fundo, mas nunca a você.

Com as coisas materiais é bem mais fácil aplicar esse conceito de usufruto, basta pensar que todo dinheiro não é nosso, e as coisas também não. Nós só as usufruímos por um tempo.

E se, ainda não estiver usufruindo dessas coisas, relaxe. Ter um orgulho enorme por possuir algo, também é uma das formas de apego. Comece a encarar as suas posses ou não posses com mais tranquilidade.

  1. Encontros casuais (as famosas ficadas)

Na hora de aplicar esse mesmo conceito com as pessoas, fica mais difícil. Parece que tratamos diferente quem “é para sempre” de quem é só “pra ficar”. Acontece que todo mundo é “para ficar”. Já pensou nisso?

Deveríamos aproveitar mais esse conceito, ou melhor, cada um que passar em nossas vidas. Quantas vezes não tratamos melhor alguém só porque sabemos que é mais sério? Ou quantas caras feias não fizemos porque sabíamos que não ia durar muito?

Para quê? Se aquela pessoa é divertida, se vocês se dão bem e ninguém está traindo ninguém, por que não viver algo legal hoje sem a preocupação do que não terá amanhã?

Escrevo isso não com o intuito de incentivar as pessoas a viverem encontros casuais, pelo contrário. Quando estamos com alguém há um certo tempo, também é normal começar a tratá-lo sem tanto entusiasmo. Com o conceito do usufruto, é como se tivéssemos que viver cada instante como sendo o nosso último. Valorizar mais a pessoa ao lado sem deixar cair na mesmice, sabe? Ou até mesmo porque não sabemos por quanto tempo essa pessoa vai viver, literalmente…

Pode parecer loucura, mas para aprendermos a viver, temos, sim, que pensar na morte com mais frequência. Não é contradição, é a maturidade de entender que estamos num mundo dual. Se há vida, há morte. Se há dor, há cura. E assim por diante.

Um dia, que não sabemos quando, vamos todos perder o que temos hoje, inclusive a própria vida. E isso nos dá ainda mais força para valorizar o que temos hoje.

  1. Ideias e pensamentos

Agora você pode pensar que para pessoas e coisas você consegue aplicar a lei do usufruto, mas com suas opiniões não, né?! Afinal, são elas que ditam a sua própria personalidade. Se abrir mão delas, perde a sua identidade.

Pessoas acreditam ser donos de negócios, de ideias brilhantes, de opiniões inovadoras e até pensam que ninguém nunca pensou no que está pensando agora. Ilusão.

Com tanta gente no mundo, e tantas pessoas inteligentes, ainda acredita que ninguém nunca pensou o mesmo que você?

Quando estamos em sincronia com o Universo, entendemos que todos nós somos conectados de alguma forma. E essa conexão universal, o plano das ideias e pensamentos também se fundem. Por isso, ainda que lentamente, o mundo todo evolui para o mesmo caminho.

E aí, quando um amor muito grande por uma ideia ou por uma causa se torna excessivo, ele nos acorrenta e nos cega. E pior, nós nem percebemos. Vivemos muito fortemente isso hoje dia. Essa guerra por opiniões. Pessoas discutem, brigam, argumentam fervorosamente porque acreditam em algo diferente do outro.

Ao entender que as ideias pertencem ao mundo, esse sentimento vai nos trazendo mais paz. Afinal, uma ideia que é só sua não serve para muita coisa. Ela só vai ter utilidade mesmo quando transformada em uma atividade ou materializada em forma de ação para o mundo. Ou seja, falar ou externar a sua opinião não vai fazer tanta diferença assim.

E além disso, quando compartilhamos uma ideia, a partir daquele momento ela já não é mais sua. Um negócio que você criou e que precisa contratar pessoas para gerir, também não é mais seu, é do time.

Comece a vibrar mais os momentos que vivemos por conta da materialização das ideias nos trabalhos, movimentos ou negócios. E, junto com isso, as pessoas que nos relacionamos por conta desse movimento, é o usufruto.

Quantas pessoas você ajudou por conta de uma ideia? E quantas prejudicou?

O que te sobra por seguir esse seu ideal, causa ou proposta?

Por isso que quando vejo pessoas brigando por terem ideias diferentes, percebo que elas não estão vibrando o usufruto do momento. Quanto mais você ajudar o mundo através da sua ideia, mais útil ela será. Caso contrário, estará perdendo tempo e energia.

Ideias ou conceitos novos só servem quando não são mais seus.

Só de pensar nisso tudo já ficamos mais leve, notou? Imagina quando praticarmos.

Procure viver os pequenos momentos da sua vida de uma forma mais inteira; o futuro e suas posses, deixe para o universo decidir. Com isso, sobrará mais tempo para conhecer as pessoas e se relacionar com qualidade.

Esse conceito também é bem válido para os nossos filhos. Quantos pais não são apegados aos seus filhos, quando o que eles querem é sair para o mundo? Crie seu filho ensinando-lhe a lei do usufruto e, com certeza, ele vai sofrer menos.

Os pais acabam projetando em seus filhos tudo o que não tiveram; a falta de amor, os problemas do casal ou a rejeição que já enfrentaram, como se seus filhos fossem a solução de seus problemas e o maior símbolo de felicidade. É aí que entra a ilusão novamente. Bom, esse é um papo para depois.

Vou deixar você com os bons pensamentos e lembrar: aquilo que te faz bem, te liberta.

Agora já podemos parar de nos justificar a um amigo que sumiu, ou ao fulano que não ligou, e o porquê que o ciclano cancelou um encontro, às vezes, até entender porque ele deixou de te amar.

Nossos vínculos com pessoas deveriam se ater aos pequenos momentos de alegria que temos juntos, como se fosse um vento fresco que bate em nosso rosto e logo vai embora. Assim, tudo ficaria mais leve.

E se você não tiver um trabalho fixo por exemplo, aproveita cada um dos seus bicos como sendo o seu usufruto da vez. Se você só tiver colegas e não amigos de verdade, aproveite cada risada que dá junto com eles. O mesmo serve para os seus ‘contatinhos’, caso não tenha encontrado o amor, aproveite cada pessoa esquisita que passar pela sua vida, assim vai ter histórias engraçadas para contar aos seus netos.

Talvez não haja apenas um amor para a vida toda, e sim vários. E talvez exista um só amor com o qual você tenha uso e alguns frutos. A questão é que depois dessa noite especial com as estrelas, tudo ficou mais fácil para mim, tirei algumas preocupações e pesos que me amarravam.

A lei do usufruto nos preenche muito mais do que imaginamos. Faça o teste e veja você mesmo 😉

Tatiana Garcia Negócios do futuro

Olá! Eu sou Tatiana Garcia e ajudo as pessoas a descobrirem seu propósito e a viverem daquilo que nasceram para ser. Acredito que as pessoas podem transformar o mundo quando conectadas com o seu melhor.

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