O que as perdas têm a nos ensinar

por | 6 jul, 2017

Faz 4 dias que eu perdi meu gatinho de estimação. Ela era um bebê, tinha apenas 7 meses e conosco viveu 5 meses. Ele era meu grude. Depois de sua perda o que eu mais me peguei pensando foi: “Por quê ele se foi tão cedo? O que ele veio fazer no mundo em um tempo tão curto? Por quê ele se aproximou mais de mim do que do resto da casa?

Nesse momento percebi que ele tinha algo para me ensinar. Foram várias coisas que eu aprendi com ele e uma delas, talvez a mais marcante, foi para não brigar e nem ser agressiva com ninguém. Ninguém. Nunca. Nunquinha. Isso mesmo. Descobri que era exatamente isso que ele queria me ensinar nesse breve período de tempo.

Para mim sempre foi muito difícil não brigar com as pessoas. Cresci sendo muito briguenta com todos ao redor, meus apelidos eram dos mais variados, como: Tati quebra-barraco, Tati Rambo, parruda, Dona-onça e assim por diante.

Cresci acreditando que a briga fosse o sinônimo de reivindicar meus direitos, de falar não, de impor meus limites, de mostrar quem eu sou entre outras coisas.

Com a morte do meu querido Théo, o que mais me doía era saber que em tão pouco tempo de vida, eu ainda havia conseguido brigar com ele.

Eu não sei explicar o motivo real de seu problema físico, a própria veterinária disse não ter muita explicação. Ele era um gato de raça persa, lindo, cinza e gordinho que cresceu fazendo xixi fora de sua caixinha de pedras. Esse comportamento é bem raro entre os felinos, que tem o hábito de serem educados para urinar sempre em suas caixinhas e nunca fora dela. Talvez ele fosse mesmo muito territorial e precisava marcar seu território a todo instante.

No começo eu não brigava com ele porque pensei ser algum problema de saúde. Mas, depois de levá-lo inúmeras vezes ao veterinário, descobri que ele não tinha problema nenhum, foi aí que comecei a ficar irritada com seu comportamento. Não sei se vocês sabem, mas xixi de gato tem um cheiro muito forte. E o querido Théo fazia cerca de uns 7 xixis por dia pela casa inteira. Não tinha regra de lugar, cada vez era em um canto.

Me lembro de pegar ele no colo, olhar bem nos olhos dele e pedir brava para ele parasse com isso. De tão brava que eu falava, assim que o soltava no chão ele saia correndo e assustado de tanto medo, e logo se escondia em algum cantinho. Eu não precisava bater nem nada, gatos são bastante sensíveis e podem facilmente sentir a nossa ira.

Nesses 4 dias sem ele eu ando muito triste e angustiada, mal consigo escrever sem me emocionar e chorar de saudades. E sabe o que mais dói? Saber que em sua pequena memória, ele registrou alguns momentos da minha fúria.  E eu nunca mais poderei apagar essa memória. Ahh como dói.

 

 

Eu não queria de jeito nenhum que ele tivesse qualquer registro da minha braveza. Meu maior desejo era que em sua pequena memória tivesse apenas boas recordações da vida e de mim. Somente momentos de alegria.

Você já parou para pensar nas memórias que deixou ou está deixando na vida das pessoas que passam pela sua vida?

 

Será que nenhum arrependimento pode pairar em você caso algum deles partir assim tão de repente?…

Engraçado que normalmente pensamos: “O que posso fazer hoje e que não deixaria para amanhã?” Mas nunca pensamos no que não deveríamos ser ou fazer para alguém, né?

Arrependimento é um sentimento horrível e irreparável….

Brigar ou ficar bravo com as pessoas que amamos realmente não vai te fazer feliz. E essa foi a lição que o pequeno Théo me deixou depois desses curtos 5 meses que passou comigo. O que mais queria hoje era transformar aqueles momentos de braveza em alegria. Mas não posso. Então, o mínimo que tenho a fazer é aprender com o meu erro e compartilhar o aprendizado com os outros para que não errem também.

Claro que podemos e devemos falar não para as pessoas, impor nossos limites, educar nossos filhos e animais de estimação, alunos ou familiares. O meu erro, e acredito que o de várias pessoas, é perder a paciência na hora de fazer isso. A raiva nunca deixará boas recordações ou ensinamentos.

Nós podemos falar tudo o que queremos, e temos a liberdade para isso. Porém falar com amor, carinho e compaixão muda todo o cenário. Eu nunca soube medir direito o quanto de carinho ou firmeza devemos ter. Sempre acabei sendo a mais “esquentadinha” de todas.

Hoje, mais do que nunca, risquei esse comportamento da minha lista de hábitos. Jamais iria imaginar que uma criaturinha tão especial, tão amável e que eu amei tanto viesse no mundo somente para me dar esse ensinamento. Porém, nós não escolhemos os nossos mestres de aprendizado.

Hoje também entendo uma das frases que a minha mãe sempre me dizia quando eu era adolescente: “Briga não vai te levar a nada”. Na realidade leva sim, ao arrependimento. Acho que essa frase na realidade quer dizer que brigas nunca te traz coisas boas.

 

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