Como fazer com que a sua empresa tenha propósito

por | 28 nov, 2017

Você criou um negócio e o começo foi bem difícil, você conseguiu crescer, gerir sua equipe e hoje percebeu que seu único objetivo lá no início era ter uma vida melhor? Você conseguiu ganhar dinheiro e comprar bastante coisa legal, mas não sabe se isso já te traz realização? Já passou pela sua cabeça em vender tudo e fazer outra coisa?

E se por acaso, você até se sente realizado porque o negócio te dá liberdade para fazer muitas coisas, mas seus funcionários vivem desmotivados, não cumprem com as obrigações e você perde um tempão com contratações, rescisões e treinamento?

Não ter um propósito bem definido é algo tão grave que causa insatisfação não só em você, mas em toda a equipe.

Costumo dizer que empresas com propósito contagiam todos ao seu redor; e empresas sem também, deixando todo mundo desmotivado…

Se você não sabe qual é o propósito da sua empresa, fique tranquilo. 99% dos negócios já possuem um propósito, só o fundador que ainda não conseguiu identifica-lo muito bem. Um negócio com propósito também não precisa ser super humanitário, com impacto social, como por exemplo: ajudar os animais, o meio ambiente, ou abrir uma escola de yoga. É bem mais amplo que isso.

Então, se você não sabe qual é o da sua empresa, leia esse artigo até o final que com certeza algumas últimas dicas vão te ajudar bastante.

Um negócio com propósito pode ser de 3 tipos:

 

Trabalhadores de um obra em Paris, dando uma pausa no expediente para tocar música

#1. Aquelas que transformam o mundo, para melhor, é claro. São empresas que mudam o comportamento das pessoas que consomem seus produtos ou serviços, gerando uma transformação na sua cidade, país ou mesmo no mundo.

São aquelas empresas que lançaram a primeira TV colorida, a primeira câmera digital, o primeiro telefone e até a Apple quando lançou seu primeiro IPhone, mudando a cultura das pessoas de usarem o celular além de fazer ligações.

O Uber mudou a maneira das pessoas de se locomoverem por aí. O Facebook estreitou a distancia entre as pessoas, que antigamente era feita por cartas.

Ah e você não precisa ser um gigante para transformar o mundo. A padaria aqui perto de casa transforma a cultura local ao ser a única da região a vender pãozinhos sem glúten. Demais, né.

#2. As empresas que ajudam pessoas ou trazem melhorias.

São aquelas que melhoram a vida das pessoas ou trazem facilidades para o dia a dia. Por exemplo: clínicas médicas, escolas que oferecem cursos, produtos que facilitam a limpeza do ambiente, uma cadeira boa para a coluna, um novo método de massagem para dores, uma academia inovadora e por aí vai.

Poderia ficar aqui horas exemplificando empresas que nos ajudam através de produtos ou serviços.

Recentemente comprei um limpador de pêlo de gatos que não precisa de refil. Foi incrível para a minha vida! Passei a gastar menos e minha casa fica sempre limpa. Consequentemente, eu também fico mais feliz.

Os Estados Unidos é craque em criar produtos que facilitam a nossa vida. Essa categoria de empresas com propósito serve também para os autônomos e pessoas que trabalham ajudando o outro, como os psicólogos, fisioterapeutas, coachings, professores e etc.

#3. Empresas que promovem conforto e bem-estar.

Aqui estão todas aquelas empresas que nos fazem rir, relaxar e descansar. A diversão e o entretenimento são necessários para o equilíbrio de todos.

Levar alegria as pessoas é um propósito bastante nobre. E claro que isso existe de diversas formas: nos hotéis, teatros, restaurantes, televisão, rádio, bar, eventos, produtores e assim por diante.

Nessa categoria eu gosto de ressaltar as gigantes: Rock in Rio, Disney e Cirque del Soleil. São negócios multimilionários que através de um propósito bem definido, se tornaram referência no mercado e impactam positivamente muita gente.

Agora você pode se perguntar: uma empresa pode ter o mesmo propósito que outra?

Sim, pode! O Orkut, por exemplo, tinha o mesmo propósito que o Facebook. Mas porque uma quebrou e a outra não?

É porque não basta apenas ter um propósito bem definido. Você ainda precisa fazer com que esse propósito chegue até o público final da melhor forma. Com essa entrega bem feita é que você se diferencia dos concorrentes.

O que te torna único de verdade é “como” você entrega o seu propósito para o mundo

Escola infantil no Peru, trabalhando valores com as crianças

Lembre-se disso: descobrir o propósito da sua empresa é apenas o primeiro passo para estar a frente.

E fazendo uma perguntinha bem simples, você chega ao seu propósito rapidamente:

Porquê sua empresa existe?

Qual tipo de melhoria ela traz para o mundo ou para as pessoas?

E se é tão fácil assim, porque tantos empresários ainda não sabem seu propósito? Num mundo com tantas empresas, porque ainda não sentimos transformação?

Simplesmente porque a maioria das empresas não praticam o seu propósito, no dia a dia.

Criaram uma cultura interna tão orientada ao resultado financeiro, de crescimento, vendas, metas, números, números e números…que o propósito se perdeu no meio de tanta loucura, de tanta correria, de tanta impessoalidade.

Essa luta incansável de se tornar o melhor e ter cada vez mais dinheiro não gera um ambiente favorável para viver o propósito nas empresas.

O maior vilão da busca de ter um negócio com propósito é a cultura robótica, onde pouco se valoriza as pessoas

Sabe aquela famosa missão da empresa que fica escrita no mural e todos os funcionários ficam sabendo ao entrar? Sim, ela é bem parecida com o propósito.

A diferença entre missão e o propósito é que a missão fica escrita, enquanto o propósito precisa ser praticado por todos, dentro e fora da empresa

A equipe se sente automaticamente desmotivada quando descobre que aquela missão linda e maravilhosa que uma pessoa supersimpática do RH leu no primeiro dia de trabalho, não é diariamente praticada…

Empresários precisam sair da teoria e começar a aplicar aquilo que acreditam ser o seu principal propósito.

Por exemplo, já li muitas vezes que a missão da empresa é levar alegria as pessoas. Mas, lá dentro da empresa, em sua cultura mais íntima, ninguém tem tempo de rir ou se divertir. Os funcionários não têm a liberdade para se reunir, fazer pequenas celebrações, happy hours e etc. e o dono também não promove isso. Ele acha uma tremenda besteira e está sempre preocupado com os resultados.

Funcionária de um aeroporto no Chile, sem motivação durante um dia cheio de trabalho

Ou seja, o propósito vai ficando somente para o público final, e olhe lá…Eu criei uma agência com o propósito de transformar a forma dos brasileiros de viajarem. Vejam como ficou a Hapôri Brasil.

Um propósito bem definido no papel, precisa ser praticado externamente e internamente. E isso começa pelo dono. Afinal, foi ele quem criou tudo aquilo. E somente ele que pode difundir ou incentivar a cultura do propósito.

Um propósito muito lindo e maravilhoso no papel e super vazio na prática, serve apenas para propagandas de marketing.

Sabe aquelas empresas que ajudam pessoas a se capacitarem através de cursos, mas o dono mesmo não incentiva ou ajuda ninguém da sua equipe a se capacitar? Essa contradição caminha no sentido oposto dos negócios com propósito.

Por isso que as vezes é melhor ter um propósito simples, mas que você consiga pratica-lo. Outra forma de se distanciar dos negócios vazios é identificando quais são eles. Vou listar os principais tipos:

Loja de tecidos refinados na India, localizada perto da região carente de Varanassi

#1. Empresas que copiam outras empresas.

Essas são aquelas que vivem de olho nas inovações do mercado, e copiam na cara dura a primeira ideia legal que encontram, pensando que vão “sair na frente”. Porém, são negócios que rapidamente perderão sentido.

Quem copia outros negócios, também “copiam” seu propósito. E vai ficar bem difícil de colocá-los em prática.

Quando um negócio começa com a intenção de copiar, já está meio caminho atrasado do propósito.

Claro, sabemos que quase todas as ideias hoje em dia serão copiadas no futuro ou que alguém em algum lugar do mundo já pensou nisso. Mas, há uma diferença enorme em não saber disso antes de criar, e criar só para copiar.

Na segunda opção, a intenção é ruim e o propósito vazio, não gerando significado a equipe. Além é claro, de correr o risco de se tornar mais uma “commodity” e perder mercado rapidamente.

#2. As empresas 100% mercenárias.

São aquelas que existem somente para gerar renda, como por exemplo: bancos ou instituições financeiras, empresas da web que ganham dinheiro por clique, empresas que ganham participação no negócio de outros, ou aquelas que costumo chamar de “parasitas” porque não tem nenhuma base, e seu foco é 100% numérico.

#3. Empresas que vendem produtos muito materialistas.

Essa categoria é um alerta para os empresários que buscam propósito. Não é uma regra geral, mas precisamos dar uma atenção em especial a elas. As empresas baseadas apenas em benefícios externos tendem a perder seu propósito no meio do caminho.

Mercado de jóias e pedras preciosas de Dubai

Afinal, propósito é algo muito profundo e nobre.

Por isso, o mercado de luxo, de moda, das celebridades, imagem e maquiagens, salão de beleza, construtoras de carro, revendedores de produtos no geral e etc. precisam pensar em algo além do que somente vender seu produto. Trabalhar o por quê é algo muito importante nesses setores.

Você pode estar se perguntando: “Ahh Tati, mas tem algumas nessas categorias aí que vivem seu propósito, né?”

Sim, claro que tem. Como tudo, sempre há exceções. Tem loja de moda sustentável, carros elétricos que incentivam a energia renovável, maquiagem que trata a pele e assim por diante.

Os camelôs, por exemplo, que vivem copiando tudo, alguns ajudam o país a ter acesso a inovação vendendo produtos que nem chegaram aqui ainda.

E tem bancos, como o Nubank, que começaram a pensar nas necessidades dos clientes e não apenas em seu ganho próprio.

Ou seja, tudo depende da intenção do dono.

Outro bom indicador de negócios com propósito é quando o bem gerado pela empresa não beneficia apenas o dono.

Num país onde a corrupção existe ‘a rodo’, ainda precisamos praticar e pensar mais em propósitos.

É como se aqui existisse uma cultura tão egoísta e que gerou impérios que pensam em gastar menos possível, ter qualidade baixa, e o bolso do dono cheio no final do mês.

Você pode até estar cansado de ouvir em propósito, mas o fato é que o Brasil só vai melhorar quando cansar de praticar isso nas empresas. E para isso, o empresário vai precisar começar internamente.

Propósito de empresa, mesmo que ela seja sua, ainda é diferente do seu propósito pessoal. Para descobrir se você vive a sua missão de vida diariamente, faça o teste abaixo:

Descubra se o seu trabalho te realiza

Tatiana Garcia Negócios do futuro

Olá! Eu sou Tatiana Garcia e ajudo as pessoas a descobrirem seu propósito e a viverem daquilo que nasceram para ser. Acredito que as pessoas podem transformar o mundo quando conectadas com o seu melhor.

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