O poder da empatia na educação do crime

out 28, 2018 | Artigos, Autoconhecimento |

“Fulano errou, deve ser imediatamente punido! ”

“Foi crime? Prendam-no! Precisamos de justiça! ”

Esses são alguns dos pensamentos que nos vêm a cabeça quando nos deparamos com um mal muito grande ou um crime. Mas já parou para pensar onde é que fica a empatia nessas horas? Empatia diante de um crime, será que é possível?

Muitos dos nossos pensamentos são automáticos e vem sendo passado de geração em geração. Mas o que é essa justiça que todos falam? E empatia? Será que estamos preparados para julgar alguém com tanta certeza?

Existem dois tipos de justiça: uma que é aquela que quer tirar o indivíduo do convívio comum e a outra que decide se tal pessoa é boa ou ruim como ser humano.

Com relação ao primeiro tipo de justiça, acredito que pessoas que cometeram crimes ou atos ilícitos devem ser tiradas do meio de convívio comum. Isso eu não tenho dúvidas.

Mas veja que muitas vezes misturamos esses dois tipos de justiça. Nesse segundo tipo, como alguém pode saber, se lá no mais íntimo, essa pessoa é boa ou ruim?

Profundo, né?

A questão é que nenhuma prova ou relato nos daria acesso a esse lado mais íntimo do ser humano.

O que é empatia na educação do crime?

Se empatia é se colocar no lugar do outro, deveríamos refletir sobre o que levou tal pessoa a cometer tais crimes. Será que ela o fez em sã consciência, ou será que foi ensinada a fazer isso desde pequena? Será que essa pessoa ainda é pequena? Por quê será que ela não prefere viver com uma boa família sem correr nenhum risco de morte?

Mas a questão aqui é: qual a visão que temos dos criminosos e como os tratamos assim que os tiramos da sociedade? Isso faz total diferença num país que quer viver com segurança.

Por anos acreditamos que punição sempre foi a única opção para esses casos. E há tempos a sociedade vem punindo seus indivíduos criminosos. Temos até casos de tortura, pena de morte e apedrejamento em praça pública em determinados países.

A pergunta que tenho sobre isso é: esse método funcionou?

Os culpados ou criminosos pararam de cometer os crimes por conta da punição que receberam? E os cúmplices, que viram criminosos morrerem em praça pública, se amedrontaram e por isso pararam?

Provavelmente o jeito mais correto de fazer com que esses indivíduos voltem a se sentir cidadãos, ou que parem de cometer crimes por algum motivo, tenha algo a ver com empatia ou pelo menos com uma atitude diferente da que temos até hoje.

É como se os métodos que são utilizados para combater a violência não sejam eficientes.

Uma vez uma pessoa muito querida me disse: “O nível de maldade de um ser humano está totalmente relacionado ao nível de amor que ele não teve. ”

Será que nunca ninguém pensou que a empatia talvez os curasse?

Sim, sei que podem pensar que seja loucura minha pensar assim. E talvez seja mesmo. Só quero fazer vocês refletirem principalmente nessas épocas difíceis. Pensar em formas alternativas de combater o mal, pode ser a saída para muitos de nossos problemas pessoais e sociais.

No caso do Brasil onde não há mais espaço nas cadeias e nós perdemos totalmente o controle da segurança, algo diferente precisa ser feito, pois enquanto lemos esse texto, eles continuam cometendo os mesmos crimes, tendo os mesmos pensamentos e vibrando o mal, na cadeia ou fora dela.

Ou seja, a punição é algo quase que falido.

A punição em troca do crime só gerou mais ódio e revolta entre os prisioneiros. Matar quem cometeu um crime é uma solução bastante simples e rápida para se resolver um problema complexo e que vem sendo construído por anos.

Mas qual seria a melhor opção? Será que nós como sociedade temos o poder de escolher quem deve viver ou morrer?

Se compararmos isso com a educação, por exemplo. Ao reprovar um aluno, que é uma amostra pequena de punição, ele se torna mais inteligente por isso? Quantos alunos que, depois de adulto, se lembram dessa reprovação com sentimento de frustração, ódio, fraqueza e as vezes até trauma?

Esse ato simples já não educa alguém de forma positiva, imagine quando replicado em alta escala na sociedade.

Quando penso em tudo isso, me dá uma sensação de que estamos vivendo num grande ciclo vicioso, onde a nossa própria sociedade está produzindo pessoas criminosas e rebeldes por pura falta de empatia entre nós. Parece que estamos retrocedendo ao resolver algumas coisas através do cruel ato de punir o outro.

É como se estivéssemos atrasados em relação a uma sociedade mais desenvolvida. Desenvolvida no sentido de respeito mútuo, onde os serem humanos têm empatia pelas pessoas menos favorecidas, com menos recursos, menos sabedoria e menos amor próprio.

Precisamos nos ajustar e repensar em melhores formas de se “gerar” melhores seres humanos.

Difícil pensar assim, né? Porque darei atenção e amor aos criminosos? Tenho coisas mais importantes a fazer!

Eu sei, ainda não estamos acostumados a tratar bem que nos tratou mal, a perdoar quem nos magoou, a ser bom com quem não é bom com a gente e assim por diante. Não fomos educados para isso. Por isso que penso que devemos começar a mudar essa forma de pensar o mais rápido possível.

Por exemplo, como serei capaz de dar amor a alguém que tirou a vida de meu amigo?

As religiões vêm por anos nos ensinando a perdoar quem nos feriu ou a ser amigo do nosso maior inimigo. Mas nunca interpretamos dessa forma. Na realidade, muitos gurus nos deixaram em sua história grandes atos de empatia e que poderíamos inserir em nossas rotinas, mesmo que em menor escala.

Saber perdoar e amar incondicionalmente alguém deveria ser um propósito comum de todos os seres humanos, por mais difícil que seja. É só olhar uma mãe que continua amando seu filho mesmo quando ele é preso.

Se formos pesquisar estudos, documentários, livros e relatos sobre a vida dos criminosos, sobre como foram suas infâncias, seus problemas mais íntimos e suas relações com familiares, iremos nos deparar com uma realidade bastante difícil. Muitos tiveram uma infância traumática.

Claro, isso não justifica tamanha crueldade, mas se você se colocar um pouquinho na pele deles, talvez comece a sentir mais compaixão. A realidade que nós tivemos foi bem diferente da deles.

Para se ter empatia, precisamos pensar com a cabeça do outro, não com a nossa.

Muitos cresceram vendo seus irmãos ou pais cometendo os mesmos crimes. As vezes fazem o que fazem por agir no automático, exatamente como foram educados ou as vezes até como foram abandonados.

Hoje em dia as pessoas tratam os “criminosos” como lixos da sociedade. Esquecem que eles são pessoas, assim como você, cheias de traumas, sem amor, ignorantes, sem recursos e passíveis de erros e recaídas.

Como podemos achar que esse ser humano será transformado ao ser tratado com mais crueldade?

Como iremos evoluir como sociedade reproduzindo os mesmos erros de nossos antepassados?

Gerar mal em cima do próprio mal não quebrará esse ciclo vicioso.

Por quê não mostramos como o mundo é melhor se não cometer tal crime? Como fazer isso?

Quando penso que, ao cometer um crime eles vão direto para uma cela suja, ficarão trancados com milhares de outros presos capazes de cometerem os mesmos crimes, em condições precárias e sem nenhum estímulo de amor ou sabedoria, vejo que estamos entregando a eles o mesmo que eles nos entregaram: a ignorância.

Geramos revolta em cima de revolta e aumentamos a raiva, a tristeza, a solidão, a exclusão e os sentimentos ruins.

O papel de uma sociedade desenvolvida deveria ser o oposto, deveria ser o de transformar pessoas ou ambientes ruins em pessoas ou lugares melhores.

E você pode estar pensando que esse papel não seja seu, e sim do governo. Pensa que não tem participação nenhuma nesse ciclo porque nunca cometeu crimes e também porque não tem o poder de transformar o modelo carcerário do Brasil?

Mentira, você tem sim esse poder! E pode fazer de onde estiver a partir de agora.

Essa transformação interna e individual começa com menos julgamento.

Quando olhamos uma situação de fora, qualquer uma que seja, e deixamos o circo pegar fogo ou elegemos quem é o certo ou errado, já estamos fazendo parte do ciclo negativo sem nem perceber.

Para começar a transformar a sociedade é necessário apenas pensar, e agir individualmente, sobre como apagar o fogo dos circos que se armam na sua frente. Começar a pensar em como você pode se transformar num ser humano mais sábio e menos punitivo, vivendo com mais empatia.

Por isso que a mudança na sociedade começa com você. Se você der o exemplo de mais tolerância, mais perdão, menos julgamento e mais compaixão poderá transformar o seu ciclo em positivo e dar bons exemplos ao seu redor.

Se cada um pensasse assim, teríamos um reflexo diferente na nossa cultura como um todo, até que essas ações chegassem lá em cima no governo.

Caso você esteja achando toda essa reflexão muito idealista, pense comigo: volte a sua vida alguns anos atrás e pense no dia em que você cometeu um erro enorme ou magoou alguém. Provavelmente você o fez pensando que estava certo, ou até meio que sem querer, no automático. Como é que você gostaria que tivessem te ensinado que aquilo não foi bom?

Provavelmente não dirá que queria ter sido punido.

E se disser que sim, é porque você ainda não se perdoou ou não se ama o suficiente.

E antes de terminar essa reflexão doida, vamos pensar em como é na natureza. Ela é tão perfeita que vale a pena nos compararmos um pouquinho à ela.

Vamos ver o que acontece no mundo animal, um cachorro só morde alguém quando o tentam ameaçá-lo ou atacá-lo, usando o seu modo mais instintivo.

Isso mostra que o mal só existe quando estamos machucados, amedrontados, inseguros ou com algum sentimento triste ou de angústia.

Imagine que em cima desses sentimentos você ainda acrescenta a punição.

A verdade é que quando pensamos em punição é porque ainda estamos vivendo o nosso lado mais animal e mais instintivo.

Reflita mais sobre qual mensagem você quer passar para o mundo.

A sua ação está sendo repercutida em todos os cantos do país e do mundo, suas ações e pensamentos afetam cada ser humano ao seu redor. E essa vibração pode chegar até o mais alto escalão do governo ou da sociedade.

Por isso você como indivíduo tem o poder de mudar o mundo.

Tatiana Garcia Negócios do futuro

Olá! Eu sou Tatiana Garcia e ajudo as pessoas a descobrirem seu propósito e a viverem daquilo que nasceram para ser. Acredito que as pessoas podem transformar o mundo quando conectadas com o seu melhor.

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