O QUE A RÚSSIA ME ENSINOU SOBRE EMPATIA

jul 9, 2018 | Artigos | 0 Comentários

Se preferir, escute esse artigo em áudio:

 

Sabe aquela sensação de chegar num lugar novo e ser bem recebido? Já parou para pensar que países também tem a sua própria empatia? Por exemplo, quando te ajudam com suas dúvidas de estrangeiro, se te passam conforto ou segurança, se te dão uma atenção e te fazem sentir acolhido, e assim por diante.

Cada país tem um jeitinho específico de receber seus turistas, né?

E eu, de outro lado, talvez até por uma ignorância minha ou força de hábito, sempre “classifiquei” um país, uma nova cidade, um novo lugar, uma casa, um estabelecimento comercial como sendo “bom” ou “ruim” através do seu grau de acolhimento oferecido. E confesso que ainda valorizo quem nos trata com atenção e cuidado.

Mas, muita coisa mudou em relação a isso depois que eu visitei a Rússia, e eu vou te contar o porquê.

Imagine um lugar acolhedor que quando você chega todos estão sorrindo para você e buscando te ajudar. Eu senti muito isso no Equador, na Indonésia, no Peru, Tailândia, Tanzânia e muitas vezes aqui no interior do Brasil.

Aí, com a referência de todos esses locais acima, eu de repente chego na Rússia e me assusto com o que vejo. O pessoal nas ruas andando com a cara fechada, sem sorrir e muito apáticos. Isso me assustou assim de primeira já, principalmente porque eu tenho o hábito de andar sorrindo. Fui logo me acanhando na cidade de Moscou e fechando o meu sorrisão aberto.

 

Até mesmo a maneira deles se comunicarem uns com os outros eu achei um pouco agressiva. De imediato pensei que seria mais um daqueles daqueles países em que nos sentimos incomodados somente por ser um turista. Sabe aquela sensação de que está atrapalhando ou invadindo o espaço deles?

Só que ao passar dos dias eu fui vendo que isso era somente uma parte da cultura deles, e que assim que você conseguisse “quebrar o gelo” inicial, eles se tornavam pessoas muito amáveis e prestativas umas com as outras, principalmente com os turistas. E pela cultura mais reservada deles, depois eles se tornavam pessoas bem mais respeitosas e receptivas que nós próprios brasileiros, que tantas vezes invadimos o espaço alheio sem nem perceber naquela tentativa inútil de se tornar pessoas legais.

Essa experiência me fez lembrar que muitos brasileiros sorriem por pura falsidade, ou apenas para parecerem pessoas legais ou felizes aos olhos dos outros, mas que no fundo no fundo podem não ser pessoas tão felizes assim. E esses sorrisos tão bonitos e simpáticos podem ser sorrisos vazios. Inclusive, se você notar, muitos brasileiros sorridentes não vão te ajudar quando você mais precisar deles.

Muitos se escondem atrás de um belo sorriso, e que no fundo são pessoas incrivelmente individualistas.

 

A Rússia me abriu muito a cabeça para uma nova forma de enxergar as culturas, me fazendo enxergar que nem sempre aquela pessoa que aparenta ser assim tão acolhedora, no fundo pode estar apenas usando uma máscara de proteção e que ela não é aquilo de verdade. Uma vez que os russos usam a cara feia para esconder o seu amor pelas pessoas, eu aprendi que não podemos mais classificar países usando métricas dos nossos países como referência.

Tudo faz parte da cultura local e não existe um certo e errado, apenas o fato em si.

Eu aprendi que na Rússia homens muito sorridentes são considerados verdadeiros paspalhões, e por esse motivo que não sorrirem tanto assim. Eles precisam passar credibilidade às pessoas, e essa é uma das métricas que usam. Por isso que escondem expressões de contentamento em público, e isso é normal para eles. Eu escrevi um artigo com mais 9 curiosidades russas, clique aqui caso queira saber mais.

Foto tirada pelos russos ao chegarem em nossa mesa e descobrirem que éramos estrangeiros

O mais incrível de tudo é que quando eles começam a falar com você, se tornam pessoas muito verdadeiras e reais. São do tipo que quando dizem ‘eu te amo’, realmente estão amando aquela pessoa de verdade. Também costumam falar o que pensam sobre você sem muito se preocupar em parecer pessoas legais. E quando eles são atenciosos com você é porque realmente eles estão sendo atenciosos.

Aí eu me questiono: o que é melhor ou pior?

Não sei. Na realidade não há algo melhor ou pior nesse aspecto. Sorrir ou não sorrir, demostrar ou não demostrar atenção, não importa. O que importa é ser verdadeiro, e isso não tem nada a ver com o sorriso que você tem na cara. Ser verdadeiro com você mesmo e com os outros ao redor é algo que apenas vai te fazer bem. Abrir nossas cabeças em relação a tudo aquilo que é posto como referência nos ajuda nesse caminho da igualdade e do menos generalismo.

A partir de agora eu vou repensar toda vez que visitar um novo lugar antes de classifica-lo como acolhedor ou não.

 

Antes de tudo, temos que entender que a cultura, de uma forma mais profunda, pode ser diferente daquela que a gente vê. Conhecer a história das pessoas e o porquê elas são o que são é muito mais importante. Logo, a empatia vem de nós, visitantes; e não dos locais que estão apenas vivendo a sua própria cultura. Nos colocar no lugar deles e entender que cada um tem o seu próprio motivo para ser o que é, te dá uma das características de um bom viajante.

Tudo é permitido e aceito quando estamos dispostos a viver um mundo com mais empatia e aceitação.

Reforcei ainda mais esse ensinamento na Rússia, e pra mim foi libertador.

#repense #reviva #despadronize #nãosejaamaioria

Tatiana Garcia Negócios do futuro

Olá! Eu sou Tatiana Garcia e ajudo as pessoas a descobrirem seu propósito e a viverem daquilo que nasceram para ser. Acredito que as pessoas podem transformar o mundo quando conectadas com o seu melhor.

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