Família empresta R$ 300 mil para garota de 17 anos, e daí?

jul 20, 2018 | Futuro do trabalho | 1 Comentário

Existe uma cultura no Brasil que pensa: “Quanto mais pobre e sem condições uma pessoa for, mais valorizada ela será quando ‘vencer’ na vida”. Certo?

Sim, é legal ver pessoas que venceram todas essas dificuldades no Brasil, na economia, na família, na sociedade e realizaram seus sonhos mesmo assim. Mas, caramba! Achar que somente esse é o nosso modelo de sucesso, é cruel. É como se estivéssemos colocando nosso padrão no nível “perrengue” máster.

Já pensou nisso?

Estamos vivemos e colocando nossa mentalidade num padrão de muita escassez. Estamos dizendo que quanto mais “fudido” você for, mas foda você será ao vencer. Isso quer dizer que primeiro precisamos ser “fudidos”.

Pra quê? Para quê dificultar nossa realidade somente para ser mais reconhecido depois?

Isso gera um impacto muito maior do que imaginamos. Isso reverbera de inúmeras formas em nossa cultura. Por exemplo, hoje em dia tem muita gente com sucesso que veio da classe média pensa duas vezes antes de dizer de onde veio, só para não ser criticado ou para não te olharem torto…

Um dias desses eu escutei uma amiga bem próxima de mim dizendo: “O fulano de tal está dando certo aqui na cidade, mas também….teve ajuda da família, né? Assim é fácil!” Será que é fácil mesmo?

O Brasil acabou associando que para se ter dinheiro de forma digna, precisamos “perrengar” ou fazer sem nenhum tipo apoio ou investimento. Como se receber apoio fosse algo ruim, né?

O nível de sucesso para muitos brasileiros está associado ao quanto de dinheiro ele ganha, ou o quanto de dinheiro ele não tinha antes do sucesso. Ou seja, ainda estamos avaliando diretamente o sucesso de alguém pela quantidade de dinheiro.

Vamos voltar um pouquinho nessa história toda aí. O que significa “vencer” na vida ou ter sucesso para você?

Já estamos no século XXI, ano de 2018 e muita gente entende (ou eu pelo menos acho que entendem) que ter dinheiro não compra felicidade, certo?

Mas porque ainda estamos associando o dinheiro ao sucesso? Nós não percebemos, mas ao mesmo tempo que pregamos que felicidade não se compra, ainda temos pensamentos e crenças ao contrário disso.

Na verdade, não importa como você começa algo nem aonde você vai chegar. O que vale é a dedicação e a força de vontade que você bota num projeto ou empreendimento. Não é clichê, mas o topo da montanha não é mais importante que o seu caminho. E por conta de esquecer disso, que deixamos de valorizar boas ideias, iniciativa própria, coragem ou a própria batalha em si. Ficamos apenas pensando no topo da montanha…

Sabe aquela parte que ninguém vê? Essa é a parte mais importante.

Por exemplo, quantas ex-celebridades que ganharam ou tiveram muito mais que 300 mil reais e hoje vive nas ruas? E aqueles ganhadores da mega sena que perdem tudo. Isso acontece justamente porque não fizeram o melhor uso daquela grana, e é essa a chave do sucesso!

Vocês realmente acham que 300 mil reais fariam todo mundo rico?

Não gente, não faria nem metade da população rica. Precisa ter muita coragem, dedicação e estudo para isso.

Independente se isso te faria alguém rico ou não, o que importa é que ser rico não é o objetivo aqui. A garota diz ter realizado seu sonho de vida. Pode ser que as vezes ela nem está buscando o tal cobiçado enriquecimento, né?

Precisamos acreditar que o mundo tem espaço para todos brilharem. Cada um do seu jeito. Precisamos aprender a ficar felizes com a felicidade do outro. Falta mais disso no Brasil. Muitos julgam o brilho do outro, esquecendo que você mesmo pode brilhar também, com ou sem investimento inicial.

Agora acreditar que você faria o mesmo sucesso que ela, é uma tremenda ilusão. Cada um tem o seu próprio caminho.

Mas, para aqueles que acreditam que 300 mil é muito e faria qualquer um rico, vamos fazer uma conta rápida aqui?

Imagine que você tivesse 3 funcionários, onde cada um deles ganhasse um pouco mais que o salário mínimo: R$1.500. Assim que você registrasse em CLT e pagasse pelos benefícios básicos, esse valor sobe para R$2.745.

Considerando que você tenha custos mínimos de R$5.000 (que é bem baixo). Temos um total de R$13.300 por mês apenas de custo fixo, certo?

Isso dá em torno de R$160.000 por ano, que é o tempo mínimo para um negócio começar a render (isso se for um negócio bão mesmo). Ou seja, mais da metade desse dinheiro seria usado apenas para manter o mínimo de 3 funcionários ao ano.

E a matéria prima, os fornecedores, os impostos, os custos de abertura da empresa, os advogados, o site, o marketing e etc? Gente desculpa, mas só quem não entende muito dos bastidores de um negócio, principalmente no ramo de cosméticos, que subestimou esse valor.

Repense em sua conta. 300 mil dividido por 12 meses é ≠ do salário líquido da menina de 17 anos.

Lembro que quando era funcionária eu tinha dois pensamentos: 1. O dono tem muita grana 2. Porquê não me pagam mais se eu sou uma boa funcionária?

Hoje, como empresária tudo mudou: como consigo os melhores fornecedores e ainda faço sobrar dinheiro para pagar meus excelentes funcionários; e além disso, como mostro para meus clientes o quanto prezamos pela qualidade?

Os valores sobre as coisas mudaram muito.

Ahh Tati, mas eu conheço uma pessoa que começou com R$ 0,00 e hoje é bem rico. Sim, isso pode existir. Mas, só para constar, o número de pessoas que consegue essa missão é de apenas 0,0001%. E porquê diachos estamos nos colocando nessa estatística? Queremos dizer que nós só seremos bons de verdade quando formos 0,0001% da população?

Quais as chances? Quantos Neymars existem no mundo?

Somos muito mais que isso! 

Machu Picchu, 2012

Eu li no post que foi publicado na net, muitas pessoas comentando coisas do tipo: “Tem que ser muito incompetente pra não conseguir nada com esse valor” ou “Mano, se alguém me der 300 mil a juros de 6% ao ano eu nem trabalho mais.”

Esses juros de 6% ao ano de onde você tirou?

Gente, vocês se lembram o que estavam fazendo ou quais eram as suas principais preocupações com 17 anos?

Bom, eu não sei você, mas as minhas eram coisas do tipo: ‘Será que vou ser aceita nesse novo grupo de jovens?” / “Hummm acho que estou um pouco acima do peso” / “Será que meus pais vão deixar eu ir na festinha do final de semana?”…

Não sejam hipócritas.

Eu não estava nem próxima de pedir um empréstimo bancário para abrir um negócio próprio na idade dos 17 anos, muito menos indo atrás de selos de qualificações para passar credibilidade aos meus clientes.

  

Já pensou que se essa mesma história fosse nos Estados Unidos, essa mesma garota estaria sendo reconhecida nacionalmente, se bobear mundialmente, por se tornar a empresária mais nova do mundo?

E muito rapidamente a marca da menina já estaria sendo exportada para o mundo todo. Porque aqui é diferente?

O Brasil, além de não liberar empréstimo para negócios criativos como esse, ainda critica quem o faz. É uma triste realidade, ou melhor, é uma triste mentalidade.

Gente, quantas adolescentes de 17 anos da classe média estão vivendo hoje no incrível mundo das maravilhas, se achando a última bolachinha do pacote e torrando o dinheiro de seus pais?

Essa garota, ao contrário de todas, tentou sozinha abrir um negócio com o empréstimo do banco, não conseguiu, a família se sensibilizou e apoiou, e daí? Qual foi o erro?

Conforme muitos comentários desse artigo, alguns pediam com hipocrisia para encontrarem o erro na história.

Nada contra quem começou do zero, mas o mundo não é feito apenas de Neymars, gente? Todos nós temos o direito de brilhar, e atitudes como o dessa garota era para ser digna de tirar o chapéu.

Vocês sabiam que ela abriu uma loja de cosméticos, que menos de 1% de todas as lojas de cosméticos do Brasil são: Cruelty Free e Vegan. Sabem o que é isso?

Produtos que não são testados em animais e também não têm uso de matéria prima de origem animal. Parece simples, não é? Mas não, a maioria das empresas brasileiras de cosmético ainda não tem essa consciência.

E o sonho dessa menina não ficou apenas no significado da marca Ametsa, ela também vende produtos com o posicionamento de não estereotipar o mundo da beleza. Seu conceito é: Sem regras, sem estereótipos.

Hirônico, não?

Julgar quem fez, sem saber como seu caminho foi ou sem saber como é o negócio, é no mínimo cruel. Mas, muitos ainda julgam, analisam e criticam quem brilha. Mas quantos realmente fazem algo para mudar a realidade do mundo?

Além da idade jovem da garota, o negócio é inovador, ela tem pouca experiência, não conseguiu empréstimos do banco e é uma garota. Sim, ainda bem que alguém apoiou o sonho dessa guerreira aí. Vamos todos nos inspirar!

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Tatiana Garcia Negócios do futuro

Olá! Eu sou Tatiana Garcia e ajudo as pessoas a descobrirem seu propósito e a viverem daquilo que nasceram para ser. Acredito que as pessoas podem transformar o mundo quando conectadas com o seu melhor.

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